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29/03/18

Mais tóxicos que a nicotina

Polêmico e cercado por controvérsias, o cigarro eletrônico seria menos agressivo à saúde, segundo seus defensores. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, mostrou, contudo, que isso não é verdade

Polêmico e cercado por controvérsias, o cigarro eletrônico seria menos agressivo à saúde, segundo seus defensores. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, publicado na revista PLoS Biology mostrou, contudo, que isso não é verdade. De acordo com os pesquisadores, os líquidos utilizados para dar sabor ao dispositivo contêm substâncias tóxicas que variam muito entre elas, sendo algumas mais perigosas que outras. Dependendo do chamado e-liquid, a composição pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro de tabaco, alerta o artigo.


Robert Tarran, professor de biologia celular e fisiologia da instituição e principal autor do trabalho, conta que os líquidos são bastante diversos e que não seguem uma padronização. “Em alguns produtos, os componentes eram mais tóxicos que a nicotina sozinha e que os ingredientes base dos e-liquid, que são glicerina vegetal e propilenoglicol, substância também vegetal”, observa Tarran.

O especialista alerta que, nos Estados Unidos, onde o Food and Drug Administration (FDA), órgão de vigilância sanitária, começa a regulamentar esse produto, o cigarro eletrônico está se tornando muito popular. O mais preocupante, diz Tarran, é que cresce a adesão entre adolescentes e jovens adultos. “Pesquisas recentes indicaram que aproximadamente 15% a 25% dos estudantes das primeiras séries da high school (equivalente ao ensino médio) já usaram e-cigarros. Outras pesquisas mostraram que de 10% a 15% dos adultos norte-americanos utilizam esses produtos. São números que aumentam a cada ano e, todavia, temos poucos estudos sobre os efeitos na saúde”, diz. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não liberou a venda de cigarro eletrônico, mas o produto é facilmente encontrado em sites e tabacarias.

Para avaliar os riscos dos e-líquidos, a equipe de Tarran desenvolveu um sistema que detecta rapidamente o teor de toxidade das substâncias. Ele usa grandes placas de plástico que contêm centenas de recortes minúsculos, chamados de poços pelos pesquisadores. Neles, células humanas de rápido crescimento são expostas aos diferentes líquidos. Quanto mais as substâncias reduzirem o desenvolvimento celular, maior a toxicidade delas.

“Os principais ingredientes dos e-líquidos (glicerina vegetal e propilenoglicol) são considerados atóxicos quando ministrados oralmente, mas, obviamente, os vapores do cigarro eletrônico são inalados. Nós constatamos que, mesmo na ausência de nicotina ou de aromatizantes, pequenas doses desses compostos orgânicos reduzem significativamente o crescimento das células humanas”, conta Flori Sassano, coautor do estudo.

Combinações perigosas
Além dos ingredientes-base, os e-líquidos incluem pequenas quantidades de nicotina e compostos que conferem sabor, sendo vendidos com nomes bastante atraentes, especialmente para adolescentes, como candy corn, chocolate fudge e berry splash — todos, sugestivos de guloseimas. No estudo, os cientistas avaliaram amostras de 148 líquidos e também fizeram uma análise de cromatografia e espectrometria de massa, que revelam, em profundidade, a composição química de um produto. No geral, quanto mais ingredientes, maior a toxicidade das substâncias testadas. Os mais perigosos identificados na avaliação foram dois saborizadores, vanilina e cinamaldeído, muito usados em e-cigarros. 

Quando os pesquisadores usaram outros tipos de células nos testes, inclusive do pulmão humano e do trato aéreo superior, a toxicidade produzida por essas substâncias continuou elevada. Os resultados também se mantiveram quando os cientistas expuseram as células à fumaça produzida pelos e-líquidos, simulando a forma como entram em contato com a substância ao se usar o dispositivo. De acordo com Sassano, existem outros 7,7 mil vaporizadores no mercado norte-americano. “As pessoas deveriam saber mais sobre os ingredientes que eles contêm e o quão tóxicos podem ser”, defende Sassano.


Bobina solta chumbo e mercúrio
No mês passado, outro estudo publicado na edição on-line da revista Environmental Health Perspectives encontrou quantidades significativas de metais tóxicos, incluindo mercúrio, escapando da bobina de aquecimento dos e-cigarros e nos aerossóis inalados pelos usuários. A pesquisa, realizada por uma equipe da Faculdade de Saúde Pública Bloomberg de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, se baseou em 56 voluntários. Além do mercúrio, os cientistas identificaram níveis não seguros de chumbo, manganês, cromo e níquel. A inalação crônica desses metais tem sido associada a danos no pulmão, fígado, cérebro, sistema imunológico e cardiovascular, e a alguns tipos de câncer. 

De acordo com os autores, os órgãos de vigilância sanitária, quando regulamentarem esses produtos, devem levar em conta os vapores aos quais o usuário é exposto. “É importante para o Food and Drug Administration, para as companhias de e-cigarro e para os usuários saberem que essas bobinas de aquecimento, da forma como têm sido feitas, estão deixando vazar metais tóxicos que se tornam aerossóis quando o vapor é inalado”, disse a principal autora do trabalho, Ana María Rule. Os e-cigarros usam uma bateria abastecida de corrente elétrica, que passa por uma bobina de metal para aquecer os líquidos. 

Vaping
O processo cria partículas de e-líquido vaporizado e pequenas gotas das substâncias. O vaping, ou a prática de inalar esse aerossol como se o usuário estivesse fumando um cigarro, tem se tornado bastante popular, principalmente pela crença de que é mais seguro que o tabaco. No estudo, a equipe de Rule recrutou 56 usuários de cigarros eletrônicos e testou a presença de 15 metais nos líquidos dos dispensadores de recarga dos vapers (os e-líquidos armazenados no dispositivo que contém a bobina) e nos aerossóis gerados pelo ato de inalar o produto. 

Dos metais significativamente presentes nos aerossóis, chumbo, cromo, níquel e manganês foram os que mais preocuparam os pesquisadores, pois todos são tóxicos quando inalados. A concentração média de chumbo nos aerossóis, por exemplo, foi de cerca de 15 microgramas/kg, ou 25 vezes maior do que o nível médio nos dispensadores de recarga. Quase 50% das amostras de aerossol tinham concentrações de chumbo superiores aos limites definidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Da mesma forma, as concentrações medianas de níquel, cromo e manganês em aerossol aproximaram-se ou excederam os limites de segurança.



Fonte: Correio Braziliense - Jornalista: Paloma Oliveto
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